POEMA DE NATAL



A ALMA DA ALDEIA

Eu creio que a Eternidade nasceu na aldeia.
Lucian Blaga 



Enquanto o céu de noite se vestia
a lamparina, dentro da cabana
tentava prolongar o fim do dia
por trás da porta tosca de umburana.
A lua é outra mágica alegria
ao despontar soberba e não engana:
a noite na colina se anuncia
e sobre a aldeia paira, soberana.
Chegou o Natal; da pobre manjedoura
sem ornamentos, pois que de verdade
sob o luar, que a envolve e doura
se escuta um choro, quase alacridade...
A alma da aldeia em prece, qual se fora
dela nascida a própria Eternidade!

Luciano Maia
Fortaleza, 13 de novembro de 2013