O PEDREIRO JOSÉ E SEUS IRMÃOS

Num bairro desolado, distante e poento
em barraco sem luz, sem água e sem janela
habita um deserdado, enfermo e farrapento
pedreiro, olhos cansados, a tez amarela.
Faz tempo lhe pergunta o triste pensamento
por veredas passadas, portas de tramela
onde criança foi, no rincão mais sedento.
E aquela noite enfim o seu destino sela:
tombaram os seus irmãos, sob a parede escura
da casa que se erguia ao lado de uma encosta.
Já não retornará àquela vida pura…
Aquela noite trouxe esta sentença dura
e o seu final delírio teve enfim resposta:
tal qual os seus irmãos, aí jaz sem sepultura.

LM
Fortaleza, 15 de julho de 2014 
(inédito em livro)