OS CELTAS, HOJE

Lago Ness / Castelo Urquhart - Escócia. Fonte: Wikipedia

Os celtas, povo de origem indoeuropeia, como a maioria dos povos europeus, habitaram desde tempos imemoriais quase toda a região hoje conhecida como Europa Ocidental, desde as ilhas britânicas até a Gália cisalpina e desde a Lusitânia até as margens do Danúbio. Quando os romanos chegaram à península ibérica, por volta de 218-201 A.C., já encontraram ali os celtiberos, ou seja, uma fusão dos povos nativos, em sua maioria iberos, com os celtas, de cultura superior. Os celtas falavam línguas muito aproximadas entre si, podendo-se mesmo referir-se  um idioma celta, quase unificado. Hoje, chamamos essas línguas de célticas. São elas, as principais: o bretão, no extremo noroeste da França; o galês, no País de Gales; o gaélico, na Irlanda e na Escócia, mais os falares das ilhas do canal da Mancha. Todos esses idiomas são hoje ensinados nas escolas desses países.

Em Dublin, capital da República da Irlanda, sente-se facilmente a diferença entre os habitantes dali e os ingleses: na Irlanda, é facílimo estabelecer-se um diálogo com um desconhecido, seja num pub, seja ao caminhar por uma rua (as placas das avenidas, praças e ruas de Dublin ostentam os seus nomes em inglês e em gaélico: rua diz-se sráida).

Há mesmo um jeito irlândês (céltico, talvez?) de ser: são simpáticos, irreverentes, às vezes temperamentais, atributos pouco comuns aos ingleses, mais sóbrios, mais polidos, mais fleumáticos e… mais dissimulados. Disso fazem questão de demonstrar os irlandeses. Os escoceses, mais próximos da Inglaterra, não apenas por habitarem a mesma ilha, como por fazerem parte do Reino Unido, podem parecer mais britânicos, mas na verdade são bem conscientes de sua pertinência nacional. Aliás, existe um forte movimento pela libertação da Escócia do domínio inglês. Que o diga o supertalentoso ator Sean Connery, que milita nesse movimento.

Se a Irlanda tem os campos dentre os mais belos já vistos, com suas suaves colinas verdes e suas pequenas casas de pedra, antigas e misteriosas, a Escócia ostenta um dos lugares mais extasiantes: o Loch Ness, onde um aludido e eludido monstro habita aquelas águas fundas e tranquilas. Diz a história que a sua primeira aparição deu-se em 565 (antiga a história, mais antigo o mito!). Descreveu-a um missionário irlandês, conhecido como Santo Columba que, segundo o seu biógrafo Adamnan, o repeliu  com palavras enérgicas, obrigando-o a sair dali e nunca mais regressar. Na década de 1930 houve uma frenética busca pelo chamado Nessie, como de forma afetiva o chamam os escoceses. Há inúmeras fotos do monstro, algumas não reconhecidas como verdadeiras pelos especialistas, outras tidas como reais. Entidades como a Universidade de Boston estiveram nessa pesquisa que até hoje não terminou.

O que mais nos impressiona não é exatamente a existência (fictícia ou não) do monstro do Loch Ness, mas o próprio lago, com suas águas fundas. O seu entorno é algo edênico. Respira-se uma calma, uma pureza dignas de um templo. Poder-se-ia dizer que aquele lago e suas margens são uma catedral da natureza. Tem 58 km de comprimento e um profundidade que em alguns pontos vai a mais de 250 metros.

Os celtas, hoje, estão encantoados na região noroeste da Europa. Por falar em noroeste, há quem sustente que os galegos (da Galícia, Espanha) têm remotas raízes celtas. A gaita galega, a gaita escocesa… A história ainda não chegou ao seu críoch (fim).

Luciano Maia
Publicado no Diário do Nordeste em 10/08/2014