BETANZOS, CABEÇA DE REINO



A Galícia teve em Betanzos, cidade a 75 Km de Santiago de Compostela, a sua “província e cidade-cabeça do Reino, esse sutil e misterioso Antigo Reino de Galícia”. Betanzos foi fundada no começo do século XIII. Há, de fato, um documento datado de 13 de fevereiro de 1219, em que o Rei Alfonso VIII compra aos monges do mosteiro de Sobrado o terreno onde iria fundar-se a “Vila Nova de Bitanciis” O local onde se ergueu a futura cidade é margeado pelos rios Mandeo e Mendo. Chamou-se Castro de Unta, topônimo ainda não explicado à luz da ciência linguística nem historiográfica. E Betanzos, de onde deriva o nome? Segundo especialistas, Brigantium aparece desde a época romana. O nome viria de “habitantium” (os habitantes) com aférese (perda da sílaba inicial). Mas a explicação cabal ainda está por vir. O termo briga (usualmente usado como sufixo é quase sem dúvida de origem celta (veja-se Conimbriga). Vejamos aqui a importância de Betanzos na vida cultural galega: desde “O Antroido” e “A Fuliada”, que datam de 1886-87 e o nacionalista “Rexurdimento”, publicam-se escritores e poetas difusores da língua galega. Ainda hoje sai a revista cultural “A Xanela” e dois periódicos mensais. Lembremos ainda a publicação “A Nosa Terra”, editado pelas Irmandades da Fala, órgão de suma importância para a afirmação da língua galega como veículo de cultura.

Voltemos à “Xanela”: realiza um trabalho valoroso na divulgação das letras galegas e também da literatura em língua portuguesa, idioma que os galegos sabem ter origem no galaico, que na Idade Média foi língua cultivada nas cortes de vários Reinos da Europa.
Temos exemplos de poetas de outras nacionalidades, como é o caso de Anne-Marie Morris, norte-americana, que fez questão de aprender o galego para ler os seus autores no original e terminou por escrever poemas na língua de Rosalía de Castro. Poetar em galego, para os de língua portuguesa, significa prestar um tributo às origens, ao culto de uma lírica singela e cativante. Caso emblemático é o do andaluz Federico García Lorca,  com os Seis Poemas Galegos (1935). O pequeno livro de García Lorca alcançou um número impressionante de edições. Vai aqui un cordial saúdo a Xesús Torres Regueiro, coordinador da revista “A Xanela”, que fai en Betanxos un traballo proficuo polo suave e harmónico idioma da druídica Galicia.

LM
Publicado no jornal O Povo em 16/02/2106