HAVERÁ UMA NOVA ROMA?



A Roma que se ergueu sobre as sete colinas tornou-se na Antiguidade Clássica a capital do Ocidente, mercê das conquistas e expansões do Império Romano. A sua fundação mítica data de 753 a.C., quando os gêmeos Rômulo e Remo, abandonados no rio Tibre, foram resgatados por uma loba e por ela amamentados. Os seus nomes não antecedem o da cidade, mas o contrário: rumon ou rumen (do etrusco, com radical que significa escorrer, amamentar, era o antigo nome do rio Tibre).

O mundo ocidental curvou-se à civilização romana. A sua arquitetura, as suas leis, a sua língua estão presentes nos países herdeiros deste valioso legado, nomeadamente os ditos países neolatinos como França, Itália, Espanha e Portugal (mais a Romênia no sudeste europeu). Nestes países, o sigillum, o timbre de Roma é marca inconfundível. Depois, o Novo Mundo, a América Latina...

O imperador Constantino fundou em 330 d.C., onde fora outrora a grega Bizâncio, uma cidade com o seu nome e que a partir de 395, com a divisão do império romano, passou a ser a capital da sua parte oriental, a Segunda Roma. A velha Roma caiu em 476 d.C, quando o seu último imperador, Romulus Augustus, entregou a cidade a Odoacro e seus mercenários hérulos e godos.

Quando, em maio de 1453, Constantinopla (futura Istanbul, da expressão grega Is tin Pólin, ou seja, à cidade, como diziam os aldeãos gregos que iam vender seus gêneros aos turcos), foi tomada por Muhamed II, houve em Moscou um grande alvoroço: Ivan III, o Grande, Csar (= Cesar) autocrata, casado com Sofia, filha do último imperador de Constantinopla, Constantino XIII Paleólogo, fundou uma herança dinástica. Moscou passou a ser chamada a Terceira Roma. Moscou, a defensora do Cristianismo ante o Islamismo avassalador.

Surgirá uma Nova Roma? Um mineiro de Montes Claros, talvez, em todos os tempos, o brasileiro mais apaixonado pelo Brasil, diz que sim: o Brasil será uma Nova Roma, “lavada em sangue negro e em sangue índio, destinada a criar uma esplêndida civilização, mestiça e tropical, mais alegre, porque mais sofrida, e melhor, porque assentada na mais bela província da Terra.” Estará certo Darcy Ribeiro? Tomara assista razão ao autor de O Povo Brasileiro. Na verdade, nascemos mestiços, falamos uma língua românica, ocupamos um espaço tropical e vergamos mais do que bambu em tempestade, mas não nos rompemos...

LM
Publicado no O Povo em 2 de março de 2016.