OS AROMENOS OU VALÁQUIOS




Os aromenos vivem em todos os países da Península Balcânica, ao sul do Danúbio. São também chamados macedo-romenos, nome impróprio, já que não vivem só na Macedônia. Eles próprios se dizem armâni, aromâni (romanos). São descendentes do que outrora foi a imensa população romanizada dos Bálcãs. Até o século VI, quando chegaram os eslavos, a região estava conectada com a Itália. Os contatos cessaram com a invasão eslava e eles ficaram isolados do resto da latinidade, como ilhas em meio a um mar eslavo. Mas esses herdeiros da cultura latina mantêm viva a sua língua e os seus costumes. Falo dos aromenos em particular, mas há também os megleno-romenos e os istro-romenos, todos chamados vlahi (valáquios) pelos seus vizinhos. Essa denominação vem do antigo germânico walh. Assim os germanos chamavam os povos de língua neolatina e celta. Valon (na Bélgica); Valais (Suíça); Velche (França e Suíça). Até Wales (País de Gales). Existia no norte da Itália, Áustria e Suíça a tribo dos volcae, que se romanizaram. Para os germânicos, eram os mais próximos vizinhos seus de língua latina. De volcae passou a walh, seguindo as regras fonéticas do germânico. Gregos, eslavos, húngaros e turcos adotaram a palavra, cada qual a seu modo.

É curioso como várias vozes oriundas do latim sobrevivem em aromeno e faltam no romeno do norte do Danúbio (Romênia e República da Moldávia), o que atesta a sua presença ali desde o Império Romano, sendo, portanto, autóctones. Citemos: pecuñiu, mor, tumba, naie, fornu, vomera, hicu, pergura (de peculium, moris, tumba, navis, furnus, vomera, ficus, pergola).

Alguns autores: Pericle Papahagi (1872-1943), de Avdella (Grécia): publicou em 1909 Scriitori aromâni în secolul XVIII; Tache Papahagi (1892-1977), também de Avdella, Aromânii din punct de vedere istoric, cutural si politic (1915). Theodor Capidan (1879-1957), de Perlepe (Macedônia), com destaque para Aromânii – dialectul aromân, 1932.

Matilda Caragiu-Marioteanu (1927-2009), nascida em Argos Orestiko,  Castoria, Grécia, diz, no livro Aromâni – istorie, limba, destin, coordenado por Neagu Djuvara (que completa amanhã 100 anos!): quando um aromeno se encontra com um romeno do norte do Danúbio, exclama: Si eu fiu armânu! Ou seja: Eu também sou romeno!

Como aludiu Mircea Eliade (1907-1986), o grande ensaísta, filósofo e historiador das religiões, a latinidade é um universo em expansão


LM 
Publicado no O Povo em 30/08/2016.