Andaimes




Da argila seca vim, desintegrado.
Oh terra, oh cor antiga da poeira!
Arquitetura sóbria da distância
dos sonho ou pesadelo em que emigrei.
Despreguei-me da pedra, dispersei-me.
Virei parede escura de edifício.
Atropelado em cinzas avenidas
me desavim com o dia forasteiro.
Caí na desandança, retirei-me.
Eu tinha um nome. Eu me chamava Pedro.
Que desmemória agora me consome?
Onde, em que construções me destruí?
Eu era Pedro! Pedra? Eu tive um nome!
Que noite me esqueceu do que já fui?