Na Romênia, o inverno é a estação mais triste, com tempestades de neve, noites infindas e dias mais curtos. O pinheiro, o idolatrado brad dos romenos, ao contrário de outras árvores, não perde as folhas e continua verde, como nas outras estações... Este poema de Vasile Alecsandri narra a “fala” do pinheiro às asperezas do inverno.






O PINHEIRO

No cume, o pinheiro verde
sob a neve esbranquiçada
por entre a bruma se perde
como aparição gelada.

E vê com tristeza o curso
do inverno pelo valado
montando em pelo num urso
em sete peles guardado.

O pinheiro então lhe diz:
“Em vão tu, bruxo agourento
trazes tempestade e ardis
dias sem sol, muito vento.

Em vão congelas caminhos
matas flores e colmeias
e a morte em redemoinhos
vem com fome de alcateias.

Em vão o teu respirar
congela as águas dos rios
nossos rastros a borrar
e a me causar arrepios.

Debalde trazes também
negro corvo carniceiro.
Do bosque com feras vem
um grito de desespero.

Em vão a dor desmedida
em trevas a noite induz
e rindo da humana lida
encurtas dias de luz.

Debalde me expões ao frio
da neve e gelo, o que for...
Seja inverno ou seja estio
eu conservo o meu verdor!”

Tradução de Luciano Maia