ENGLISH SPLEEN


Habitava a tristeza de um azul
na cor inquieta de uma nuvem tarda.
Um território imaginado ao sul
que a só lembrança desvalida guarda.
Jardins desertos, restos de paul
em torno às sombras ocres da mansarda
num subúrbio cinzento em Liverpool –
resquícios de uma tarde em hora parda.
A cor da melodia ainda se ouvia
como em lamentos roucos de violino
a resvalar no rosto desse dia
da poesia inglesa em desatino.
     Romântico menino, hoje este homem
     é preso destas horas que o consomem.