O FIDALGO DO BAR

Sempre no mesmo horário, todo dia!
Dir-se-ia ser ele um habitante
daquele bar, e só um visitante
do seu lar, se o lar ainda existia.
A ninguém a palavra dirigia
mas sua mão, tremente e hesitante
saudava quase sempre, num instante
os presentes, em sóbria fidalguia.
Teria aquele homem o seu amor?
Alguém ainda o esperava e os braços
a ele estendia? Seja como for
os seus olhos parados, tristes, baços
eram a partitura de uma dor
na pauta longe de perdidos traços...