A Voz da Pedra

O silêncio estendeu-se sobre a noite
e o mudo cosmos era solidário
com o calado instante, sem o açoite
do apátrida vento perdulário.
Dir-se-ia que a areia da ampulheta
do universo cansou-se de escorrer
e os séculos sumiram pela greta
aberta sobre o imenso do não-ser.
Entre os muitos planetas estendidos
há um bailado mudo, onde os sentidos
clamam por um acorde que não medra.
A solidão penetra o mundo todo...
E escondida e sozinha, em meio ao lodo
ouve-se a insuspeitável voz da pedra.