Certo dia, isso terá sido por volta de 1980, com o Rodger e eu conversando sobre tantas coisas, além de musica, surgiu uma ideia: por que não uma composição sobre “a infanta”? A infanta seria uma donzela dos contos de antigamente, ou mesmo uma alegoria sobre a mulher dos sonhos de agora? A ideia foi-se diluindo, ficando pra lá. Entreguei estes versos ao Rodger, após muitos anos, talvez uns trinta, quase ainda por compromisso. E agora, tantos anos depois, “corrijo” a morte da infanta, pois o parceiro não queria que ela morresse... Eu também não.


A INFANTA

De ébano o seu cabelo
de maçã a sua tez
veio a infanta do enredo
de um mistério, talvez.

A infanta nasceu em maio
em tarde azul de cetim.
Tinha um olhar de desmaio
e um gesto de flor assim.

Sempre viveu na riqueza
mas não teve o que mais quis.
Era feliz, a princesa?
Dizem que era infeliz.

A infanta adoeceu
em noite fria de inverno.
O seu amor não viveu
e sofreu de amor eterno.

Na noite em que adoeceu
surgiu no céu uma estrela.
Cerrou os olhos, morreu
sem nunca conseguir vê-la.

Este conto de princesa
por enquanto não se finda:
prossegue na chama acesa
do amor por nascer ainda.

A donzela que sonhou
vai despertá-la sorrindo
uma luz que iluminou
o seu futuro tão lindo.