OS ARADOS

Amigo nascido na cidade
Sem piedade como as flores na janela,
Amigo que jamais viste
Campo e sol dançando sob amendoeiras floridas,
Quero tomar-te pela não,
Vem, quero mostrar-te os sulcos do século.

Sobre as colinas, onde voltares o olhar,
Com as relhas enfiadas no terreno fértil
Estão os arados, os arados, inumeráveis arados:
Grandes pássaros negros
Que desceram do céu à terra.

Para não os afugentares
Deves te aproximar deles cantando.

Vem – devagar.


(Lucian Blaga, tradução de Luciano Maia)