SACRUM ET PROFANUM

À sexta hora mística da alvorada
um lavrador provecto empunha o seu arado.
Com uma mão saúda e reconforta a terra
com a outra aponta para a filosofia simples
e verdadeira do tempo respirando
entre os espaços da nascente seara
que morrerá de novo para renascer
tantas vezes após a nossa morte...

Vós, habitantes da cidade, não entendereis
jamais, não adivinhareis a força
de sua mão calosa acariciando ao anoitecer
nos seios da companheira – uma luz –
gesto primordial da eternidade nascido
desde o primeiro clarão de luar
sobre o chão da semeadura...