EVASÃO

Quando fui ter à casa abandonada
era noite estrelada e a mais bela
lua de outrora, flor despetalada
batia em cheio no ocre da janela.
Pois era mesmo a lua desvairada
regressada das noites em que ela
alumiava a infância descuidada
que estava ali… O firmamento zela
este instante perdido e retornado
do tempo para sempre transportado
a outro tempo, há muito já perdido.
A casa, em seu silêncio de passado
ouviu-me a voz e o passo extraviado
do menino de outrora, ora evadido.