A LÁGRIMA E O RAIO DE LUZ


Uma lágrima
desprendida de entre os cílios
de uma delicada lembrança
escondida no fundo de uma alma
caiu
sobre o branco de uma frágil pétala…
Um raio de luz deu por ela
e lhe disse:
“Sinto pelo teu calor
que não és uma gota de orvalho…
De onde vens e o que és”?

Enquanto se desfazia na poeira do sol,
respondeu a lágrima:
“Eu sou uma gota de alma
e sou
como o gotejar das fontes cálidas:
venho sempre dos abismos – profundos!...”

(Lucian Blaga, in Addenda, tradução de Luciano Maia)