AQUELA MANHÃ

Noite a findar, a música embalando
o sono acontecido, finalmente
e o fulgor do momento perdurando
nas visitas do sonho intermitente.
Segredos desde então... desde esse quando
em que a noite da veste transparente
foi despojada e fomo-nos doando
em recíprocos, mágicos presentes.
Vimos no alto a cúmplice presença
de uma argentada e confidente lua
fingindo olhar os astros, displicente...
E o sol enfim chegou, pediu licença
e flagrou, na moldura do nascente
a ti, amada, esplendorosa e nua!