POEMA DA CANOA SÓ

Deslizando em silêncio, sobre
a água do rio viaja a canoa despedida
do náufrago embriagado de domingo.
A noite deixa-a seguir entre um e outro remanso.
A lua empalidece ao vê-la tão só.

Os peixinhos ainda tentam brincar
de mordiscar o casco enlodado
mas a canoa, triste, embalada na lenta
descida das águas, não acena ternuras.
Desfia a canção fluvial de canoa despedida
rumo de nenhum porto, barco azulando
na saudade enluarada das águas...