CEMITÉRIO


Por uma pilastra desce Deus
em forma de pombo –
E as pequenas cruzes de madeira
parecem uma turma de bons meninos
que brincam na areia.

Espinhos floridos.

Ao lado de uma pedra, mendiga um cego:
um olho, ele o tem fechado, o outro é branco
como um globo de amargosa.

Pelas frondes
o sol faz escoar da mão
uma moeda de luz.
Hoje o cemitério inventou um túmulo novo.
À noite virão
muitas, muitas estrelas – para vê-lo.

(Lucian Blaga, in Opera Poetica, tradução de Luciano Maia)