A RUA HOJE
(soneto estrambótico)

O silêncio da rua em que caminho
não é de agora, nem sequer a rua
é aquela, em que devagarinho
levantava-se ao céu soberba lua.
Esta rua de agora não tem ninho
de canário… e já não atenua
os ruídos do mundo em borborinho
e antes que o meu passeio se conclua
retorno, como todos, o sozinho.
Quem passa não enxerga por quem passa
só os carros lhe fazem companhia
e a presença constante da fumaça.
Nesta rua de agora, seja dia
ou noite, a pressa sempre me ultrapassa
em meio a insidiosa algaravia.