LEMBRANÇA DO SERTÃO-DE-ANTIGAMENTE
DE UM VAQUEIRO NA BEM-AVENTURANÇA


Bebeu das fontes frias dos grotões
banhou-se na ribeira do afluente
e amou a noite em suas sucessões
de lua cheia, a ela reverente.
Travou lutas com ágeis barbatões
nos dentros do Sertão de antigamente.
Sofreu, com seu cavalo, expiações
junto às reses, ao sol impenitente.
Envelheceu no enredo da lembrança
de um passado com brio, pobre, embora.
Com seu sorriso puro de criança
espera a morte, que já não demora
em visitá-lo... A bem-aventurança
dentro da alma desse homem mora.