RELATO DE UM NÁUFRAGO

O céu se fez escuro de repente.
Um raio fulminante rompeu as velas de entremastros.
As vagas arrebentaram a amurada do convés.
A água entrou pela proa com uma fúria inaudita.
Não havia uma única saída
a não ser a morte, sob os relâmpagos
na noite do céu estrangeiro.

Éramos onze, mais o comandante.
Não sei quantas horas durou a tempestade
mas lembro de quando tudo findou
sob o luar minguante de novembro.
Todos estávamos mortos.

Pude vislumbrar, entre as nuvens calmas
do nascente, uma luz distante.
Talvez a autora na terra...