ALÉM DAS ÁGUAS DA IRISADA FONTE


No último sonho, milagrosas águas
serão as vastas águas de um açude
onde irão imergir todas as mágoas
que por águas sofrer em vida pude.
Um sangradouro azul banhando as fráguas
de um ermo que em oásis se transmude.
Nessas hídricas dádivas, apago as
rugas da terra e a alma não se ilude:
a morte agora em vida se refaz.
Águas beijando o céu, desde o horizonte
estendido ao olhar, onde jamais
deixarão de lavar os pés do monte
os meandros de um rio que me traz
águas perenes da irisada fonte.

                          Veneza, 31 de outubro de 2016