SONETO DE SEPARAÇÃO NO ESTORIL

Foi quando a sua ausência me alcançou.
Um vento errante, qual boêmio louco
cantou canções doídas, maltratou
o silêncio da rua... ouvi um rouco
marítimo lamento, que ensejou
o meu poema, neste muito ou pouco
desejo de falar-lhe, ouvi-la ou
de dissipar no copo esse sufoco.
À sua falta, a noite agigantou-se.
A dor presente pede que eu consagre
a tamanha amargura um verso doce
e sorva o vinho desse não-milagre.
                   Calado e só, o pensamento a mil
                bebi a noite imensa no Estoril.