SONETO DO TRÁGICO E DO FATAL

Caíram luas do evadido tempo
das alvas torres pelo espaço erguidas.
Funda desolação desse momento
herdeiro de memórias inimigas.
As estrelas tombaram sem socorro
do céu poente, como em doido sonho
vazando as íris baças dos seus olhos
fustigadas de vento e de abandono.
Rompeu-se a voz sozinha e emigrada
das palavras debalde, que não curam
o silêncio da noite estrangulada.
E a dor, que além da vida ainda perdura
foi derradeira e muda, sobre o nada
a que chegou, faminta de ternura.