ENTREGA A UM SONETO

Componho este soneto, sem ainda
ter em mente o que vai ser ele, enfim:
deixo que chegue aquela ideia vinda
de um recanto recôndito de mim.
Tange as palavras uma trama infinda
navegando o papel, partindo assim
de um rio antigo, uma paisagem linda
habitando-me a infância em seu jardim.
Cruzando o nono verso, ao alto mar
do primeiro terceto irei zarpar
como se deve e o último terceto
já me anuncia o fim deste poema
como metalinguagem ou teorema
de como se entregar a um soneto.