A VOLÚPIA DO SONETO






O fim do dia se anunciava quieto
e o sonho navegava um pensamento.
Talvez, entre outros, fosse o mais dileto
concluir um poema, o instante lento
em que aquele ansiar, mudo e secreto
deixasse-lhe de ser quase um tormento
e um verso se tornasse, esse objeto
entre a inspiração e o fazimento.
E permitindo que sua ideia fosse
construindo, sem pressa, o seu projeto
foi adentrando a sensação mais doce
de conseguir, no último terceto
cumprir o sonho: foi quando entregou-se
à inefável volúpia do soneto!