O MAR E O SONHO LUSITANO

Mar português, limite do Ocidente
cemitério do sol, naus em distâncias
de intérminos adeuses, longas ânsias
de regressar a um sonho intermitente.
– Ao Levante chegar pelo Poente –
e avistar, até onde a proa alcance, as
terras de outras estrelas e fragrâncias
de outras flores e clara água corrente.
Por novas Troias e aurorais Ilíadas
quantas mortes sofreram os lusíadas
a esquadrinhar o múltiplo Oceano?...
Milhares, porém mais lhes deu o Mar
na Aventura de nunca mais findar
do incurável sonho lusitano.