BERÇO PARA UMA NAU PORTUGUESA

...E sobraram as velas destroçadas
sem descer aos abismos do oceano
e pedaços de lenho e as encharcadas
tábuas das amuradas. Grande dano
causam as vagas tormentosas, dadas
de encontro à nau, cujo destino insano
tornou-se perda, ó cais de malogradas
ambições do universo lusitano!
Ó nau frágil! As luas de outros mares
iluminam seu mastro, lá submerso
sonhando um berço para os nautas... Lares
que de relembro e dor e de disperso
e trágico destino, os avatares
do naufrágio assediam, nau sem berço!