O ÚLTIMO CATAVENTO


Um sonho ao vento, o seu fervor de outrora
ainda a agitar o peito de um menino
posto num homem degredado, fora
do seu lugar, de si, do seu destino.
Fatigado de tudo, tudo agora
é desfavor, é perda, é desatino.
Por ter chorado tudo, já não chora
este hóspede do tempo peregrino.
Mas ainda há um sonho no seu peito:
ainda o seu olhar a luz alcança
da qual foi seu longínquo outrora feito.
E a nutrir-se tão só desta lembrança
enfrenta os seus moinhos, contrafeito
ao lado de Quixote e Sancho Pança.