SONETO ATRÁS DA PORTA

Por uma fresta esguia, quase incerta
visitadora brisa nos conforta.
Tua blusa, de rendas recoberta
move-se branca, tênue, atrás da porta.
Uma mirtácea brande a sombra hirta
numa silhueta breve, de flor morta.
Sob o gume lunar, a frágil mirta
alvazul, solitária, o vento corta.
Deitas-te leve, sonolenta, absorta
relendo uns versos que te dei por carta.
Um rumor de instrumentos se recorta
antes que do momento o encanto parta.
E outra vez o desejo nos exorta
A uma comunhão de beijos farta.