Tarcísio Garcia - acrílico sobre tela.





SONETO DE SEPARAÇÃO
NO ESTORIL

Foi quando a sua ausência me alcançou.
Um vento errante, qual boêmio louco
cantou canções doídas, maltratou
o silêncio da rua... ouvi um rouco
marítimo lamento, que ensejou
o meu poema, neste muito ou pouco
desejo de falar-lhe, ouvi-la, ou
de dissipar no copo esse sufoco.
À sua falta, a noite agigantou-se
e a dor presente pede que eu consagre
a tamanha amargura, um verso doce
e sorva o vinho deste não-milagre.
Calado e só, o pensamento a mil
bebi a noite imensa no Estoril.
    
                                                     Estoril, 9 de setembro de 1983