CENTENÁRIO DA GRANDE UNIÃO DA ROMÊNIA







Aluno do antigo Ginásio Diocesano Padre Anchieta, em Limoeiro do Norte, ouvi a primeira notícia sobre a língua romena, quando o professor de latim, o padre Pitombeira, enumerou os idiomas neolatinos, descendentes diretos da prestigiosa língua de mármore. A minha curiosidade sobre o chamado latim danubiano cresceu a partir daí. Procurei encontrar algo sobre o idioma romeno, quando cheguei a Fortaleza, em 1964. Não havia, naquela época, facilidade para a aquisição de livros romenos no Brasil, por diversas razões, inclusive políticas.
Por uma casualidade, a partir de uma publicidade de uma empresa romena exportadora de tratores, para a qual escrevi solicitando orientação nesse sentido, consegui, por intermédio da mesma, o endereço do Instituto de Linguística de Bucareste e comecei a receber, das mãos da professora Maria Theban, os primeiros livros romenos: uma gramática e alguns compêndios didáticos sobre língua e literatura. Deixo aqui o meu agradecimento a essa simpática professora, que conheci depois pessoalmente, em uma das minhas viagens a Bucareste, ela que foi responsável pelo início do meu conhecimento sobre a Romênia, sua língua e sua cultura.
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No ano do centenário da Grande União, em meio às grandes manifestações comemorativas desta data que se reveste de suma importância para os romenos em todo o mundo, registro aqui a minha singela homenagem a este país cujo povo tem demonstrado, ao longo dos séculos, a sua inquebrantável convicção de pertencimento à cultura latina, esse expanding univers de que nos fala o ensaísta e historiador Mircea Eliade. Um universo em expansão que se situa acima de qualquer etnia, religião ou latitude. A latinidade é hoje um dado de espectro universal.  Foi em virtude dessa obstinada resistência que os romenos conseguiram enfrentar e vencer, ao longo de praticamente dois milênios (desde a Dácia Romana à moderna Romênia) todas as investidas de usurpação ou ocupação do seu território e de agressão aos seus valores, mantendo a sua língua e a sua cultura intactas, numa louvável demonstração de firme consciência nacional. Os romenos têm um provérbio perfeitamente ajustado à sua índole: apa trece, pietrele ramân (a água passa, as pedras permanecem).
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Os poemas presentes nesta pequena recolha foram por mim escritos ao longo da publicação de vários livros. Prestam um tributo à língua e à cultura romenas neste ano de 2018. Pretendem ser o meu testemunho dos cem anos da Grande União, que para os romenos é um marco histórico de imensa valia.