O JUGO
(Daniel Varujan – tradução de Luciano Maia)









Os meus bois são louros, têm as frontes de luz
que eu adornei com um amuleto azul.
Estão ébrios do ar primaveril da manhã –
Olham pacíficos a quieta campina.
Durante o inverno eu os nutri com feno –
Lembram os nédios ídolos do templo.
O seu rabo peludo e penteado
resvala sobre os flancos como uma serpente.
Gosto de contemplar o seu dorso de mil dobras
as suas narinas úmidas, as grandes pupilas
onde se reconhece o sonho imutável da campina.
Gosto de ver seus corpos balouçantes, do potente mugido
desde os horizontes – quando caminham sem deter-se
com os chifres imersos no Alvorecer.