À MUSA
Daniel Varujan* – tradução de Luciano Maia



E como, vigoroso, o lavrador se aferra
à curva empunhadura do arado,
lacera os flancos da terra
e sob a torrente dos raios do sol
os sulcos áridos tornam-se férteis;
e como o grão ruivo na eira se amontoa
e os moinhos rangem,
e como transborda do tanque a massa do levedo
e o camponês a coze em forno
que está sempre aceso
o prazer, o vigor criativo
que difunde o Pão, o Pão consagrado,
inspira-me, ó Musa dos meus pais,
inspira-me e cinge de espigas a minha lira,
para que sobre a eira, à sombra do salgueiro,
eu possa sentar-me e fazer despertar
a minha canção.

*Daniel Varujan, poeta armênio assassinado pelos turcos aos 31 anos durante o genocídio em 1915