A SEMENTEIRA
(Daniel Varujan – tradução Luciano Maia)








É o semeador. – Ergue-se vigoroso
Entre os raios dourados do ocaso.
Os campos da pátria, aos seus passos,
Estendem escancarada a própria nudez.
O seu avental está repleto de grãos
Colhidos às estrelas. As espigas de um ano, ressequidas,
Aguardam a palma da sua mão gigante
Que desponta sobre os campos como uma aurora.
Semeia, camponês – em nome do pão da tua casa
Não conheça limite o teu braço;
Estes grãos que espalhas vão se derramar
Amanhã sobre a cabeça dos teus netos.
Semeia, camponês – em nome do miserável faminto
Não saia diminuída a tua mão;
Hoje um pobre, no candeeiro do templo,
Derramou a última gota de azeite para a colheita de amanhã.



Daniel Varujan (1884-1915), poeta armênio, hoje reconhecido como um clássico da literatura armênia, graças ao trabalho de divulgação de Antonia Arslan, professora de Literatura Italiana em Padova. Daniel Varujan foi vítima, aos 31 anos de idade, do genocídio perpetrado pelo governo turco sobre a população armênia, desde o início do século XX e que em 1915 ceifou a vida de mais de 1 milhão e meio de vidas armênias, pelo simples fato de não abandonarem a fé cristã para se tornarem mulçumanos.