A DESCIDA DAS ÁGUAS

                        (Mihai Eminescu –Luciano Maia)

Dos velhos montes, do arvoredo arcano
nascem as fontes, que em murmúrio vão
prevendo o seu destino de oceano
e são nos bosques mística canção.
      Ora espargindo sobre as pedras duras
      ora se unindo, calmas ou frementes
      em seu caminho assumem mil figuras –
      as mesmas são, mas sempre diferentes.
Porém no abismo de águas que já surge
mergulha, enfim, a voz daquela prece.
Torna-se triste, um outro som estruge.
      Chegada ao mar, que a toma e estremece
       – velho rio cansado que ainda muge –
      da juventude a doce voz esquece...