Romênia

Imn National al României - Hino Nacional da Romênia


DEŞTEAPTĂ-TE, ROMÂNE!
Versuri: Andrei Muresanu  | Muzica: Anton Pann

Deşteaptă-te, române, din somnul cel de moarte,
În care te-adânciră barbarii de tirani!
Acum ori niciodată, croieşte-ţi altă soarte,
La care să se-nchine şi cruzii tăi duşmani.

Acum ori niciodată să dăm dovezi la lume
Că-n aste mâni mai curge un sânge de roman,
Şi că-n a noastre piepturi păstrăm cu fală-un nume
Triumfător în lupte, un nume de Traian!

Priviţi, măreţe umbre, Mihai, Ştefan, Corvine,
Româna naţiune, ai voştri strănepoţi,
Cu braţele armate, cu focul vostru-n vine,
"Viaţa-n libertate ori moarte!" strigă toţi.

Preoţi, cu crucea-n frunte căci oastea e creştină,
Deviza-i libertate şi scopul ei preasfânt.
Murim mai bine-n luptă, cu glorie deplină,
Decât să fim sclavi iarăşi în vechiul nost'pământ!


DESPERTA, Ó ROMENO
Letra: Andrei Muresanu  | Música: Anton Pann | Versão: Luciano Maia

Desperta, ó romeno, deste sono de morte
Em que te mergulharam os bárbaros tiranos!
Agora ou nunca toma nas mãos uma outra sorte,
À qual se curvem mesmo teus rivais desumanos.

Agora ou nunca demos as provas para o mundo
Que em nossas veias corre um sangue de romano,
Que em nosso peito o orgulho mantemos bem profundo,
Triunfador na luta, um nome de Trajano!

Olhai, vultos grandiosos, Mihai, Stefan, Corvinus,
A romena nação dos vossos descendentes.
No braço armado o fogo dos vossos paladinos,
“Independência ou morte!”, bradamos veementes.

A sacra cruz à frente, nossa arma e nossa história,
Divisa é a liberdade que um santo sonho encerra.
Melhor morrer na luta, mas cobertos de glória,

Que outra vez ser escravos em nossa própria terra!



DUAS OBRAS-PRIMAS DO FOLCLORE ROMENO
A Lenda do Mestre Manole
A Cordeirinha
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Poetas romenos traduzidos por Luciano Maia
Mihai Eminescu
Lucian Blaga
Vasili Alecsandri
Tudor Arghezi
Octavian Goga
Marin Sorescu


Poemas de Marin Sorescu
Tradução de Luciano Maia


QUADROS

Todos os museus têm medo de mim
porque cada vez que fico um dia inteiro
em frente de um quadro, no dia seguinte se anuncia
o seu desaparecimento.

Todas as noites sou flagrado roubando
em outra parte do mundo, mas eu não me importo
com as balas que silvam perto dos meus ouvidos
e com os cães-lobos que conhecem agora
o cheiro dos meus rastros melhor que os namorados
o perfume da amada.

Falo alto com as telas que põem em perigo a minha vida
penduro-as nas nuvens e nas árvores
e recuo para ter perspectiva.
Com os mestres italianos pode-se ter facilmente uma conversa.

Que algazarra de cores! Também por esse motivo
com eles sou flagrado rapidamente
visto e ouvido à distância
como se levasse papagaios nos braços.

O mais difícil é roubar Rembrandt:
estendes a mão e encontras a escuridão –
Ficas horrorizado, os seus homens não têm corpos
apenas têm olhos fechados em caves escuras.

As telas de Van Gogh são doidas
giram e dão cambalhotas
e tenho de segurá-las bem com ambas as mãos
porque são absorvidas por uma força da lua.

Não sei porque Bruegel me faz chorar.
Não era mais velho que eu
mas chamaram-no o velho
porque tudo sabia quando morreu.

E eu procuro aprender com ele
mas não posso reter as minhas lágrimas
que correm sobre as minhas molduras de ouro
quando fujo com as estações debaixo do braço.

Como estava dizendo, todas as noites roubo um quadro
com uma destreza invejável.
Mas o caminho é muito longo.

Sou apanhado por fim
e chego em casa altas horas da noite
cansado e rasgado pelos cães
segurando na mão uma reprodução barata.


A DOENÇA

Doutor, sinto algo mortal
aqui na região do meu ser.
Doem-me todos os órgãos:
de dia dói-me o sol,
e à noite a lua e as estrelas.

Sinto uma pontada na nuvem do céu
em que até então nem tinha reparado
e acordo todas as manhãs
com uma sensação de inverno.

Em vão tomei toda espécie
de medicamentos,
odiei e amei, aprendi a ler,
a até li alguns livros.
Falei com os homens e pensei:
fui bom e fui belo.

Mas tudo isso não teve nenhum efeito,
doutor.
E gastei com isso um montão de anos.
Penso que adoeci de morte
um dia,
quando nasci.


SHAKESPEARE

Shakespeare criou o mundo em sete dias.
No primeiro diz fez o céu, as montanhas
                                           e os abismos da alma.
No segundo dia fez os rios, os mares,
                                          os oceanos
e os outros sentimentos –
e deu-os a Hamlet, a Julio César, a Otelo e a
                                         outros,
para os dominarem, eles e os seus descendentes,
até o fim dos tempos.
No terceiro dia reuniu todos os homens
e ensinou-lhes o gosto:
o gosto da felicidade, do amor, da desesperança,
o gosto do ciúme, da glória e assim por diante,
até se terem acabado todos os gostos.
Chegaram então \alguns indivíduos que tinham
                                         se atrasado.
O criador afagou-lhes a cabeça compadecido
e disse-lhes que não lhes restava senão
                                         tornarem-se
críticos literários
e contestarem-lhe a obra.
O quarto e o quinto dias reservou-os para o riso.

Soltou os palhaços
para darem cambalhotas,
e deixou os reis, os imperadores
outros infelizes divertirem-se.

No sexto dia resolveu alguns problemas
                                          administrativos:
pôs no caminho uma tempestade
e ensinou ao reio Lear
como se deve usar a coroa de palha.
Ainda haviam sobrado alguns desperdícios
                                         da criação do mundo
e então fez Ricardo III.
No sétimo dia viu se ainda tinha algo por
                                         fazer.
Os diretores de teatro já tinham enchido a
                                         terra com cartazes,
e Shakespeare pensou que depois de
                                         tanto trabalho
merecia ele próprio ver um espetáculo.
Mas antes, como estava exaustivamente
                                         cansado,
foi morrer um pouco.


A CONCHA

Escondi-me numa concha, no fundo do mar,
mas esqueci-me em qual.

Cotidianamente desço às profundezas
e coo o mar por entre os dedos
a ver se dou por mim.

Às vezes penso
que fui comi,do por um peixe gigante
e eu o procuro por toda a parte
para o ajudar a engolir-me por completo.

O fundo do mar me atrai e me espanta,
com os seus milhões de conchas
semelhantes.

Ó gente, eu estou numa delas
mas não sei em qual.

Quantas vezes fui diretamente
                               a uma concha
dizendo: “Este sou eu”.
Quando abria a concha
estava vazia.


A FLAUTA

Uma flauta solta gritos de repente
atrás de um passante
cujo corpo se enche de serragem,
como uma árvore quando sente
à margem da floresta
a moto-serra.

Mas não voltarei o rosto – se diz
                                     o homem –
talvez seja para outra pessoa.
Em todo o caso, tenho ainda um descanso
de alguns passos.

A flauta se ouve estridente
atrás de todos os passantes
que se fazem azulados, amarelos, verdes,
                                    vermelhos
e seguem adiante impassíveis
sem voltar o rosto.
Talvez seja para outra pessoa –
pensa cada um –
que fiz eu mais que uma guerra?
Amanhã tenho casamento,
depois de amanhã nasce a esposa,
depois de depois de amanhã enterro
                                     os pais –
tenho tanto compromisso na cabeça,
não pode ser para mim.

Um menino comprou uma flauta
e saiu a brincar,
pelo bulevar,
flauteando infantilmente no ouvido dos homens.


BRINDE

Ergo este respingo de água,
à vossa saúde.
Ergo esta escama de peixe
e bebo-lhe a lágrima.


BOLAS E ARCOS

O malabarista de circo é meu pai.
Foi chamado urgente para a noite
e deixou-me ficar
em seu lugar.

Tudo o que vês à tua volta
são apenas bolas e arcos,
disse-me ele; tem sempre em mente:
bolas e arcos.

As árvores são arcos verdes,
é preciso fazê-los girar com a mão
                           rapidamente,
para que não percam de uma vez
todas as folhas.

As nuvens são arcos azuis,
fá-los girar com a ponta do pé
e com um movimento do coração.
As mulheres também são arcos,
é preciso saber alterná-los
entre nuvens e fumaça.

Quanto às bolas,
toma cuidado: não percas a vermelha,
porque ficas às escuras,
e não lances longe demais a bola negra
à qual toda a nossa estirpe
está ligada por juramento.

O jogo é divertido,
domino como posso
o mundo de bolas e arcos.
Mas, olha, é muito tarde
e o malabarista pai não volta mais.


CAPRICHO

A cada anoitecer
peço aos vizinhos
todas as cadeiras disponíveis
e leio-lhes versos.

As cadeiras são muito receptivas
à poesia,
se souberem como dispô-las.

Por isso,
eu me emociono
e durante algumas horas
conto-lhes
como morreu toda a minha alma
nesse dia.

Os nossos encontros
são de costume sóbrios,
sem entusiasmos
inúteis.

Em todo o caso
isso significa que cada um
cumpriu o seu dever
e podemos seguir
adiante.


ÂNGULO

Pôs-lhe a mão sobre um olho
e mostrou-lhe o mundo,
enormemente desenhado
num painel.

– Que letra é esta?
perguntou-lhe.
– A noite, respondeu ele.
– Estás enganado, é o sol.

A noite, como sabemos todos,
não tem raios. E esta?
– A noite.
– Me fazes rir!
É o mar, de onde
tanta escuridão no mar?
E esta?
O homem hesitou um pouco,
depois respondeu:
– A noite.
– Oh, é a mulher.
A noite não tem seios, meu caro.
Com certeza, foste induzido em erro
pelos cabelos negros. E esta?
Olha bem para ela
antes de responder.
– Também a noite.
– É pena, nem agora acertaste;
esta letra eras exatamente
tu.

O próximo!


CARGA

Um livro pequeno:
não levei comigo
mais do que um livrinho fino,
assim como uma folha,
assim como uma vida humana.

Pensei que me fosse doer a espinha,
que me doesse o nome
que irá carregá-lo.


DANÇA!

Dança, minha alma!
Abre a porta da biblioteca e dança
entre tantos homens tão sábios
que deixaram as suas cabeças
sobre algum livro
como numa bandeja de Salomé.

São os teus melhores amigos.
E todos pedem agora que dances,
porque só tu podes ainda fazer os movimentos
começados por eles.

E a beleza da dança não se pode perder.
Pensei que me fosse doer a espinha,
que me doesse o nome
que irá carregá-lo.


Extraídos de Razão e coração,
São Paulo: Editora Giordano, 1995